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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

As sociedades relacionadas por estamentos

O sistema de estamentos ou estados consituiu outra forma de estratificação social. A sociedade feudal organizou-se dessa maneira.  Na França, por exemplo, no final do século XVIII, ás vésperas da revolução havia três estados: a nobreza, o clero e o chamado terceiro estado, que incluia todos os outros membros da sociedade – comerciantes, industriais, trabalhadores urbanos, camponeses, etc.
   Numa sociedade que se estrututa por estamentos, a condição dos invidividuos e dos grupos em relação ao poder e á participação na riqueza produzida pela sociedade não é somente uma questão de fato, mas também de direito.
   Na sociedade feudal, por exemplo, os individuos eram diferenciados desde que nasciam ou seja, os nobres tinham privilegios e obrigações em que nada se assemelhavam  aos direitos e deveres dos camponeses e dos servos, porque a desigualdade, além de existir de fato, transformava-se em direito. Existia assim um direito desigual para desiguais. O que explica a relação entre os estamentos é a reciprocidade. No saco das sociedades do período feudal, existia uma serie de obrigações dos servos para com os senhores (trabalho) e destes para com aqueles (proteção) ainda que camponeses e servos estivessem sempre em situação de inferioridade. Entre os proprietários de terra, havia uma relação de outro tipo: um senhor feudal (suserano) exigia serviços militares e outros serviços dos senhores a ele subordinados (vassalos).
   Hoje, muitas vezes utilizamos o termo estamento para designar determinada categoria ou atividade profissional que tem regras muito precisas para que se ingresse nela ou para que o indivíduo se desenvolva nela
                                                                Postado por: Dandara C.

As sociedades organizadas em castas

   O sistema de castas foi observado na Grécia antiga e na China, mas a Índia foi onde esse sistema se expressou de forma mais completa. A sociedade indiana começou a se organizar em castas e subcastas há mais de três mil anos, adotando uma hierarquização baseada em religião, etnia, cor, hereditariedade e ocupação. Esses elementos definem a organização do poder político e a distribuição da riqueza gerada pela sociedade.
   O sistema de castas sobrevive por força da tradição, pois legalmente foi abolido em 1950. Podem-se afirmar, em termos genéricos, que existem quatro grandes catas na Índia: a dos brâmanes (casta sacerdotal, superior a todas as outras), a dos xátrias (casta intermediária, formada normalmente pelos guerreiros, que se encarregam do governo e da administração pública), a dos vaixás (casta dos comerciantes, artesãos e camponeses, que se situam abaixo dos xátrias) e a dos sudras (a casta dos inferiores, na qual se situam aqueles que fazem trabalhos manuais considerados servis). Os párias são os que não pertencem a nenhuma casta, e vivem, portanto, fora das regras existentes.
   No sistema de castas não há mobilidade social, ou seja, quem nasce em uma casta, não tem como sair dela e passar para outra. Não há, portanto, mobilidade social nesse sistema. Os elementos mais visíveis da imobilidade social são a hereditariedade, a endogamia (casamentos só entre membros da mesma casta), ás regras relacionadas á alimentação (as pessoas só podem se alimentar com membros da própria casta e com alimentos preparados por elas mesmas) e a proibição do contato físico entre membros das castas inferiores e superiores. Repulsão, hierarquia e especialização hereditária: são as palavras-chave para definir o sistema de castas.
                                                                                 Postado por: Dandara C.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011


                     "Estrutura e Estratificação Social"


Grande parte da Sociologia, tanto a clássica quanto a contemporânea, indicam o fator econômico como determinante para compreender as sociedades. Marx e Durkheim, de maneiras distintas, vêem na divisão social do trabalho um fator fundamental para compreender as relações sociais numa dada sociedade.
Marx se utiliza do conceito de modo de produção para entender de que maneira a sociedade se estrutura. Destacamos que neste conceito a maneira como essa sociedade produz seus bens, ou seja, o fator econômico determina as relações no nível político, social ou cultural. Durkheim se utiliza do conceito de solidariedade orgânica e mecânica para definir a maneira como uma dada sociedade se estrutura.
Em ambos os autores, a noção de divisão do trabalho é fundamental para compreender a maneira pela qual essas sociedades se estruturam: como organizam sua produção material; de que maneira estabelecem a relação entre os indivíduos e classes; como produzem cultura; e como estruturam as formas de poder, seja simbólico ou material.
No entanto, mesmo sendo o fator econômico crucial para a compreensão de como uma dada sociedade se organiza, isso não significa que devemos submeter todos as relações sociais e culturais ao fator econômico. As relações simbólicas (linguagem, arte e cultura) também são fundamentais para a organização de uma dada sociedade e podem até mesmo determinar relações econômicas.
Poderíamos citar algum exemplo onde as relações culturais ou sociais determinam as relações econômicas?
Um exemplo possível é a interdição dos indianos quanto à ingestão de carne de gado. Este animal é sagrado na sua cultura e não é visto como alimento. Outro é a interdição da ingestão de carne de cães nas sociedades ocidentais, ao contrário de muitas sociedades orientais, como os chineses. Ou a divisão sexual rígida do trabalho nas sociedades indígenas, que delimita aos homens a atividade da caça, a produção de instrumentos para tal e a limpeza de um terreno para o cultivo; e as mulheres o cultivo das plantas e a produção de objetos artesanais. Nestas sociedades o rompimento desta divisão significa a perda do status de gênero para o desviante. Esses são apenas alguns exemplos que nos ajudam a relativizar a determinação econômica sobre a organização social e a cultura.
Segundo o Sociólogo francês, Pierre Bourdieu (p.9):
“Paradoxalmente, os intelectuais têm interesse no economicismo que ao reduzir todos os fenômenos sociais, e particularmente os fenômenos de troca, à sua dimensão econômica, os deixa fora da jogada. É por isso que é preciso lembrar a existência de um capital cultural e que este capital proporciona lucros diretos, primeiramente no mercado escolar, é claro, mas também em outros lugares, e também lucros de distinção estranhamente esquecidos pelos economistas marginalistas − que automaticamente resultam de sua raridade, isto é, do fato de que ele é distribuído desigualmente.”
Diríamos que uma estrutura social é o que define determinada sociedade. Ela se constitui da relação entre vários fatores – econômicos, políticos, históricos, sociais, religiosos, culturais – que dão uma feição para cada sociedade.
Uma das características da estrutura de uma sociedade é a sua estratificação, ou seja, a maneira como os diferentes indivíduos e grupos são classificados em estratos (camadas) sociais e o modo como ocorre à mobilidade social.
A questão da estratificação social foi analisada pelo sociólogo brasileiro Octávio Ianni, em diferentes sociedades, com base, fundamentalmente, na forma como os indivíduos organizavam a produção econômica e o poder político. Para estudar a estratificação em cada sociedade é necessário, segundo Ianni, que se verifique “como se organizam as estruturas de apropriação (econômica) e dominação (política)”. Entretanto, essas estruturas são atravessadas por outros elementos (como a religião, a etnia, o sexo, a tradição, e a cultura), que, de uma forma ou de outra, influem no processo de divisão social do trabalho e no processo de hierarquização.
estratificação social e as desigualdades decorrentes são produzidas historicamente, ou seja, são geradas por situações diversas e se expressam na organização das sociedades em sistemas de castas, de estamentos ou de classes. Cada caso precisa ser analisado como uma configuração histórica particular.
2. As sociedades organizadas em castas
sistema de castas é uma configuração social de que se tem registro em diferentes tempos e lugares. No mundo antigo, há vários exemplos da organização em castas (na Grécia e na China, entre outros). Mas é na Índia que esta a expressão mais acabada desse sistema.
A sociedade indiana começou a se organizar em castas e subcastas há mais de 3 mil anos, adotando uma hierarquização baseada em região, etnia, cor, hereditariedade e ocupação. Esses elementos definem a organização do poder político e a distribuição da riqueza gerada pela sociedade. Apesar de na Índia haver hoje uma estrutura de classes, o sistema de castas permanece mesclado a ela, o que representa uma dificuldade a mais para entender a questão. O sistema sobrevive por força da tradição, pois legalmente foi abolido em 1950.
Pode-se afirmar, em termos genéricos, que existem quatro grandes castas na Índia: a dos brâmanes (casta sacerdotal, superior a todas as outras), a dos xátrias (casta intermediária, formada pelos guerreiros, que se encarregam do governo e da administração pública), a dos vaixás (casta dos comerciantes, artesãos e camponeses) e a dos sudras (casta dos inferiores, na qual se situam aqueles que fazem trabalhos manuais considerados servis). Os párias são os que não pertencem a nenhuma casta, e vivem, portanto, fora das regras existentes. Entretanto, há ainda um sistema de castas regionais que se subdividem em outras tantas subcastas.
O sistema de castas caracteriza-se por relações muito estanques, isto é, quem nasce numa casta não tem como sair dela e passar outra. Não há, portanto, mobilidade social nesse sistema. Os elementos mais visíveis da imobilidade social são a hereditariedade, a endogamia(casamento só entre membros da mesma casta), as regras relacionadas à alimentação (as pessoas só podem se alimentar com membros da própria casta e com alimentos preparados por elas mesmas) e proibição do contato físico entre membros das castas inferiores e superiores.Repulsãohierarquia, e especialização hereditária: estas são as palavras-chave para definir o sistema de castas, de acordo com o sociólogo francês Céléstin Bouglé (1870 – 1939), discípulo de Durkheim.
Mas nenhum sistema é totalmente rígido, nem o de castas. Embora seja proibido, as castas inferiores adotam costumes, ritos e crenças dos brâmanes, e isso cria certa homogeneidadede costumes entre castas. A rigidez das regras também é relativizada por casamentos entre membros de castas diferentes (menos com os brâmanes), o que não é comum, mas acontece.
urbanização e a industrialização crescentes, e a introdução dos patrões comportamentais do Ocidente têm levado elementos de diferentes castas a se relacionarem. Isso vai contra a persistência dos padrões mais tradicionais, pois, no sistema capitalista, no qual a Índia esta formalmente inserida, a estruturação societária anterior só se mantém se é fundamental para a sobrevivência do próprio sistema. No caso específico da Índia, o sistema de castas esta sendo gradativamente desintegrado, o que não significa, entretanto, que as normas e os costumes relacionados com a diferenciação em castas tenham desaparecido do cotidiano das pessoas. Confirma isso a existência de programas de cotas de inclusão para as castas consideradas inferiores nas universidades públicas.
Para confirmar esta situação contraditória entre tradição e modernização Ocidental, retiramos uma citação, do Historiador Inglês Eric Hobsbawm (p. 201), sobre as transformações sociais no mundo não-Ocidental no século XX:
“(...) a história dos responsáveis pelas transformação no Terceiro Mundo neste século é a história de minorias de elite, às vezes relativamente minúscula, pois (...) só uma minúscula camada possuía o necessário conhecimento, educação, ou mesmo alfabetização elementar. (...) A função abrangente de tais elites educadas no Ocidente pode ser ilustrada por uma família indiana conhecida do autor. O pai, um proprietário de terras, próspero advogado e figura social sob os britânicos, tornou-se diplomata e acabou sendo governador estadual após 1947. A mãe foi a primeira mulher ministra nos governos provinciais do Partido do Congresso de 1937. Dos quatro filhos (todos educados na Grã-Bretanha), três filiaram-se ao Partido Comunista, um tornou-se comandante-em-chefe do exército indiano; outro acabou tornando-se membro da Assembléia pelo partido; um terceiro (...) ministro do governo da Sra. Gandhi; enquanto o quarto prosperou nos negócios.”
3. As sociedades organizadas por estamentos
O sistema de estamentos ou estados constitui outra forma de estratificação social. Asociedade feudal organizou-se dessa maneira. Na França, por exemplo, no final do século XVIII, às vésperas da revolução havia três estados: a nobreza, o clero e o chamado terceiro estado, que incluía todos os outros membros da sociedade – comerciantes, industriais, trabalhadores urbanos, camponeses, etc.
Nas palavras de Octávio Ianni:
“(...) A sociedade estamental (...) não se revela e explica apenas no nível das estruturas de poder e apropriação. Para compreender os estamentos (em si e em suas relações recíprocas e hierárquicas), é indispensável compreender o modo pelo qual categorias tais como tradição, linhagem, vassalagem, honra e cavalheirismo parecem predominar no pensamento e na ação das pessoas.”
Assim, o que identifica um estamento é o que também o diferencia, ou seja, um conjunto de direitos e deveres, privilégios e obrigações que são aceitos como naturais e são publicamente reconhecidos, mantidos e sustentados pelas autoridades oficiais e também pelos tribunais.
Numa sociedade que se estrutura por estamentos, a condição dos indivíduos e dos grupos em relação ao poder e à participação na riqueza produzida pela sociedade não é somente uma questão de fato, mas também de direto. Na sociedade feudal, por exemplo, os indivíduos eram diferenciados desde que nasciam, ou seja, os nobres tinham privilégios e obrigações que em nada se assemelhavam aos direitos e deveres dos camponeses e dos servos, porque a desigualdade, além de existir de fato, transforma-se em direito. Existia assim um direito desigual para desiguais.
Em grande parte das sociedades contemporâneas, assim como no Brasil, é garantida uma igualdade perante a lei. No entanto, existe uma igualdade de fato? Quais diferenças podem registrar com relação às sociedades estamentais?
Em nossa sociedade, organizada em classes sociais, existem uma suposta igualdade de direitos. Mesmo que possamos registrar profundas desigualdades sociais ou desigualdades de fato, a mobilidade social é bem maior que nas sociedades estamentais.
A possibilidade de mobilidade social de um estamento para outro existia, mas era muito controlada – alguns chegavam a conseguir títulos de nobreza, o que, no entanto, não significava obter o bem maior, que era a terra. A propriedade da terra definia o prestígio, a liberdade e o poder dos indivíduos. Os que não a possuíam eram dependentes, econômica e politicamente, além de socialmente inferiores.
O que explica, entretanto, a relação entre os estamentos é a reciprocidade. No caso das sociedades do período feudal, existia uma série de obrigações dos servos para com os senhores (trabalho) e destes para com aqueles (proteção), ainda que camponeses e servos estivessem sempre em situação de inferioridade.
Entre os proprietários de terras, havia uma relação de outro tipo: um senhor feudal (suserano) exigia serviços militares e outros serviços dos senhores a ele subordinados (vassalos). Formava-se, então, uma rede de obrigações recíprocas, como também de fidelidade, observando-se uma hierarquia em cujo topo estava os que dispunham de mais terras e mais homens armados. Mas o que prevalecia era a desigualdade como um fato natural.
Um exemplo dado pelo Sociólogo brasileiro José de Souza Martins ilustra bem isso. Ele declara, em seu livro A sociedade vista do abismo: novos estudos sobre a exclusão, pobreza e classes sociais, que durante uma pesquisa no Mosteiro de São Bento, na cidade de São Paulo, encontrou um livro da segunda metade do século XVIII, no qual havia dois registros de doações (esmolas): uma feita para um nobre pobre (os nobres podiam tornar-se pobres, mas não perdiam a condição de nobres), que recebeu 320 réis; outra, para um pobre que não era nobre, que recebeu 20 réis. Comenta o Sociólogo que “(...) um nobre pobre, na consciência social da época e na realidade das relações sociais, valia dezesseis vezes um pobre que não era nobre (...) porque as necessidades de um nobre pobre eram completamente diferentes das necessidades sociais de um pobre apenas pobre.”
Atualmente, se alguém decide das esmolas a uma pessoa que esta em situação precária, jamais leva em consideração as diferenças sociais de origem do pedinte, pois parte dos pressupostos de que elas são puramente econômicas. José de Souza Martins conclui que basicamente é isso o que distingue estamento de classe social.
Hoje, muitas vezes utilizamos o termo estamento para designar determinada categoria ou atividade profissional que tem regras muito precisas para que se ingresse nela ou para que o indivíduo se desenvolva nela, com um rígido código e de obediência – por exemplo, a categoria dos militares ou a dos médicos. Assim, usar a expressão “estamento militar” ou “estamento médico” significa afirmar as características que definiam as relações na sociedade estamental.
4. Pobreza: condição de nascença, desgraça, destino...
A pobreza é a expressão mais visível das desigualdades em nosso cotidiano. Ao longo da História, ela recebeu diferentes explicações, muita das quais ainda permeiam nosso entendimento das desigualdades.
No período medieval, o pobre era uma personagem complementar ao rico. Não eram critérios econômicos ou sociais que definiam a pobreza, mas a condição de nascença, como afirmava a Igreja Católica, que predominava na Europa Ocidental. Havia até uma visão positiva da pobreza, pois esta despertava a caridade e a compaixão. E não se tratava de uma situação fixa, pois, como havia uma moral positiva, podiam ocorrer situações compensatórias em que os ricos eram considerados “pobres em virtude” e os pobres “ricos em espiritualidade”. De acordo com essa visão cristã de mundo, os ricos tinham a obrigação moral de ajudar os pobres.
Outra explicação paralela, corrente no mesmo período, atribuía a pobreza a uma desgraça decorrente das guerras ou de adversidades como doenças ou deformidades físicas.
Isso tudo mudou a partir do século XVI, quando se iniciou uma nova ordem, na qual o indivíduo se tornou o centro das atenções. O pobre passava a encarnar uma ambigüidade: representava a pobreza de Cristo e, ao mesmo tempo, era um perigo para a sociedade. Sendo uma ameaça social, a solução era disciplina e enquadramento. O Estado “herdou” a função de cuidar dos pobres, antes atribuída aos ricos.
Com o resultado do crescimento da produção e do comércio, principalmente na Inglaterra, houve necessidade crescente de mão-de-obra, e pobreza e miséria passaram a ser interpretadas como resultado da preguiça e da indolência dos indivíduos que não queriam trabalhar, uma vez que havia muitas oportunidades de emprego. Essa justificativa tinha por finalidade fazer com que as grandes massas se submetessem às condições de trabalho industrial emergente.
No final do século XVIII, com o fortalecimento do liberalismo, outra justificativa foi formulada: as pessoas eram responsáveis pelo próprio destino e ninguém era obrigado a dar trabalho ou assistência aos mais pobres. Muito pelo contrário, dizia-se que era necessário manter o medo à fome para que os trabalhadores realizassem bem suas tarefas.
Cabe agora uma pergunta: o que restava aos que não se submetiam ou não podiam submeter à disciplina e enquadramento da fábrica e do trabalho industrial?
Sem dúvida, grande parte do contingente de indivíduos, homens e mulheres pobres que não estavam no trabalho industrial ou no trabalho agrícola, tornavam-se delinqüentescriminosos ouprostitutas.
Neste mesmo período, no final do século XVIII, surgem as prisões como instituições dedisciplinamento e vigilância dos indivíduos que não estão no trabalho fabril ou agrícola.
Para explicar melhor a questão, extraímos um trecho do livro Microfísica do Poder do Filósofo francês Michel Foucault (p.75), estudioso das relações de poder nas sociedades modernas Ocidentais:
“Minha hipótese é que a prisão esteve, desde sua origem, ligada a um projeto de transformação dos indivíduos. (...) Desde o começo a prisão devia ser um instrumento tão aperfeiçoado quando a escola, a caserna ou o hospital, e agir com precisão sobre os indivíduos. O fracasso foi imediato e registrado quase ao mesmo tempo que o próprio projeto. Desde 1820 se constata que a prisão, longe de transformar os criminosos em gente honesta, serve apenas para fabricar novos criminosos ou para afundá−los ainda mais na criminalidade. Foi então que houve, como sempre nos mecanismos de poder, uma utilização estratégica daquilo que era um inconveniente. A prisão fabrica delinqüentes, mas os delinqüentes são úteis tanto no domínio econômico como no político. Os delinqüentes servem para alguma coisa. Por exemplo, no proveito que se pode tirar da exploração do prazer sexual: a instauração, no século XIX, do grande edifício da prostituição, só foi possível graças aos delinqüentes que permitiram a articulação entre o prazer sexual quotidiano e custoso e a capitalização.”
Com base nas teorias do Economista e Demógrafo britânico Thomas Malthus (1776 – 1834), segundo as quais a população crescia mais que os meios de subsistência, afirmava-se que toda assistência social aos pobres era repudiável, uma vez que os estimularia a ter mais filhos, aumentando assim sua miséria. Posteriormente, apareceram recomendações e orientações deabstinência sexual e casamento tardio para os pobres, pois desse modo teriam menos filhos.

Em meados do século XIX, difundiu-se a idéia de que os trabalhadores eram perigosos por duas razões: eles não só poderiam transmitir doenças porque viviam em condições precárias de saneamento e de saúde, como também poderiam se rebelar, fazer movimentos sociais e revoluções, questionando os privilégios das outras classes, que possuíam riqueza e poder.


                                             - Fernanda Batista.

"Desigualdade e Estrutura Social".



O desenvolvimento tecnológico e o acesso a informação, num mundo cada vez mais globalizado, vêm fazendo uma transformação radical nos sistemas de desigualdade. E o conhecimento torna-se significativo para a estratificação social e a formação do processo de desigualdade.
A passagem da Sociedade Industrial para a Sociedade da Informação muda o foco das teorias sobre estrutura e estratificação social.  Mudando todo o processo de desigualdade e de mobilidade social.  Onde o conhecimento torna-se peça chave para o entendimento das diferenças sociais.  O capital intelectual torna-se moeda corrente para a troca.  Nesse foco a educação entra como peça fundamental para a mudança na estratificação social.
Na Sociedade Industrial o conhecimento técnico-prático era a principal porta de entrada e ascensão social.  Na Sociedade da Informação o conhecimento teórico e geral substitui o conhecimento técnico-prático. O indivíduo deve ter a capacidade de decodificar e filtrar as informações que chegam continuamente.
A educação, como geradora e portadora da transmissão do conhecimento, se transforma na principal chave de mudança.  Aumentando o tempo de escolaridade dos indivíduos. Tendo que mudar o seu foco de formação técnica e prática, para uma formação teórica, capaz de desenvolver no indivíduo o aprender a aprender.
Esse estudo será focado em duas questões:  1 - Estamos passando realmente por um processo de mudança nas concepções de desigualdade e mobilidade social?  2 - A educação é uma das principais formas de ascensão social na Sociedade da Informação?
Os estudos teórico sobre desigualdade social são reflexos das formas de desigualdade social existentes nas sociedade industrias, conforme a sociedade moderna começa a sofrer uma profunda transformação, as teorias da desigualdade também sofreram mudanças e começaram a perder significação.  Ou melhor, os estudo teórico seguem o caminho da substituição da sociedade industrial para a sociedade da informação.
Outro ponto é que o conhecimento entendido como força de ação torna-se cada vez mais responsável pelo processo de formação das desigualdades.  Para alguns Cientistas Sociais as classes sociais não constituem mais a formação das hierarquias, mas sim outros tipos de clivagens sociais.  Uma ilustração disso é que na Sociedade da Informação, os indivíduos ativos no processo de trabalho industrial representam uma minoria no conjunto da população.
Há algumas décadas atrás tinha-se como certo que a sociedade industrial e o processo de modernização originaria um sistema de desigualdade social menos hierárquico, refletindo mais de perto as aptidões individuais e as fronteiras entre as classes bastante pequenas.  Como se pode perceber, o nível de desigualdade aumentou, por outro lado houve um relativo aumento na perspectiva de vida e bem estar social, com acesso a saúde e a dispositivos de previdência, principalmente durante a década de 50 e 60.  No entanto a estrutura de poder e relações de autoridade torna-se difícil discernir mudanças significativas de ordens estruturais. Essas mudanças sociais ocorridas pode ser levadas em contas mais pelas mudanças estruturais da sociedade, do que como resultado de sucesso alcançados pelas pessoas ou por mobilidade individual.  Ou seja, a transformação da sociedade industrial na sociedade da informação trouxe novos alentos estruturais e provocou uma certa mudança na pirâmide social.  A educação pode ser encaixada como fator determinante para alcançar a Sociedade da Informação.
A Educação tem um papel cada vez mais importante na formação da natureza e da estrutura da desigualdade social na sociedade moderna, mas isso não significa afirmar que seja um fenômeno novo para o estudo da natureza da desigualdade.  Ela é uma variedade de competência culturais e aptidões.  A educação sempre teve uma papel importante na determinação da desigualdade.  Por exemplo a capacidade de ler e escrever na língua dominante de uma nação.  O conhecimento das leis e dos procedimentos que regem as transações, como saber se o religioso influi na posição social de uma pessoa.  Agora conhecer a tecnologia e saber analisar as informações cria um novo aspecto de determinação da desigualdade.
Um aspecto importante da transformação da base da desigualdade social é o estabelecimento e garantia da cidadania, especialmente de um pacote de bem-estar social, do qual abaixo não se aceita que a pessoa venha cair.
As sociedades avançadas estão se tornando cada vez mais "'sociedades da informação"', as perspectivas multidimensionais da desigualdade social, não captam apropriadamente as novas realidades sociais e econômicas.  A maior parte das teorias sobre a desigualdade social é estreitamente relacionadas com o método de produção industrial, onde hoje se situa uma minoria de pessoas economicamente ativas.  Cabe também ressaltar o papel primordial que a educação ocupa nessa sociedade moderna, onde o conhecimento torna-se fundamental para compreender o bombardeio de informações recebidas pelo indivíduos.

No século XVIII, com a Revolução Industrial, o capitalismo teve um grande desenvolvimento, dano origem as relações entre o capital e o trabalho, ficando bem claro a divisão entre as classes proprietárias e as classes trabalhadoras.
Karl Marx desenvolveu um teoria sobre a noção de liberdade e igualdade do pensamento liberal, essa liberdade baseava-se na liberdade de comprar e vender. Outra muito criticada também foi a igualdade jurídica que baseava-se nas necessidades do capitalismo de apresentar todas as relações como fundadas em normas jurídicas. Como  a relação patrão e empregado tinha que ser feita sobre os princípios do direito, e outras tantas relações também.
Marx criticava o liberalismo porque só expressava os interesses de uma parte da sociedade.  Segundo o próprio Marx a sociedade é um conjunto de atividades dos homens, ou ações humanas, e essas ações e que tornam  a sociedade possível. Essas ações ajudam a organização social, e mostra que o homem se relaciona uns com os outros.
Assim Marx considera as desigualdades sociais como produto de um conjunto de relações pautado na propriedade como um fato jurídico, e também político. O poder de dominação é que da origem a essas desigualdades.  As desigualdades se originam, de uma forma sucinta, dessa relação contraditória, refletem na apropriação e dominação, dando origem a um sistema social, neste sistema uma classes produz  e a outra domina os meios de produção.
As classes sociais mostram as desigualdades da sociedade capitalista. Cada tipo de organização social estabelece as desigualdades, de privilégios e de desvantagens entre os indivíduos.
As desigualdades são vistas como coisas absolutamente  normais, como algo sem relação com produção no convívio na sociedade, mas analisando atentamente descobrimos que essas desigualdades para determinados indivíduos são adquiridos socialmente. As divisões em classes se da na forma que o indivíduo esta situado economicamente e socio-politicamente em sua sociedade.
As classes sociais se inserem em um quadro antagônico, elas estão em constante luta, que nos mostra o caráter antagônico da sociedade capitalista, pois, normalmente, o patrão é rico e dá ordens ao seu proletariado, que em uma reação normal não gosta de recebe-las, principalmente quando as condições de trabalho e os salários são precários.
Prova disso, são as greves e reivindicações que exigem melhorias para as condições de trabalho, mostrando a impossibilidade de se conciliar os interesses de classes
A predominância de uma classe sobre as demais, se funda também no quadro das práticas sociais pois as relações sociais capitalistas alicerçam a dominação econômica, cultural, ideológica, política, etc.
A luta de classes perpassa, não só na esfera econômica com greves, etc, ma em todos os momentos da vida social. A greve é apenas um dos aspectos que evidenciam a luta. A luta social também está presente em movimentos artísticos como telenovelas, literatura, cinema, etc.
O crescente estado de miséria, as disparidades sociais, a extrema concentração de renda, os salários baixos, o desemprego, a fome que atinge milhões de brasileiros, a desnutrição, a mortalidade infantil, a marginalidade, a violência, etc, são expressões do grau a que chegaram as desigualdades sociais no Brasil.
As desigualdades sociais não são acidentais, e sim produzidas por um conjunto de relações que abrangem as esferas da vida social. Na economia existem relações que levam a exploração do trabalho e a concentração da riqueza nas mão de poucos. Na política, a população é excluída das decisões governamentais.
Até 1930, a produção brasileira era predominantemente agrária, que coexistia com o esquema agrário-exportado, sendo o Brasil exportador de matéria prima, as indústrias eram pouquíssimas, mesmo tendo ocorrido, neste período, um verdadeiro “surto industrial”.
A industrialização  no Brasil, a partir da década de 30, criou condições para a acumulação capitalista, evidenciado não só pela redefinição do papel estatal quanto a interferência na economia (onde ele passou a criar as condições para a industrialização) mas também pela implantação de indústrias voltadas para a produção de máquinas, equipamentos, etc.
A política econômica, estando em prática, não se voltava para a criação, e sim para o desenvolvimento dos setores de produção, que economizam mão-de-obra. Resultado: desemprego.
O subdesenvolvimento latino-americano tornou-se pauta de discussões na década de 50. As proposta que surgiram naquele momento tinham como pano de fundo o quadro de miséria e desigualdade social que precisava ser alterado.
A Cepal (Comissão econômica para a América Latina, criada nessa década) acreditava que o aprofundamento industrial e algumas reformas sociais criariam condições econômicas para acabar com o subdesenvolvimento.
Acreditava também que o aprofundamento da industrialização inverteria o quadro de pobreza da população. Uma de suas metas era criar meios de inserir esse contingente populacional no mercado consumidor. Contrapunha o desenvolvimento ao subdesenvolvimento e imaginava romper com este último por maio de industrialização e reformas sociais. Mas não foi isso o que realmente aconteceu, pois houve um predomínio de grandes grupos econômicos, um tipo de produção voltado para o atendimento de uma estrita faixa da população e o uso de máquinas que economizavam mão-de-obra.
De fato, o Brasil conseguiu um maior grau de industrialização, mas o subdesenvolvimento não acabou, pois esse processo gerou uma acumulação das riquezas nas mãos da minoria, o que não resolveu os problemas sociais, e muito menos acabou com a pobreza.
As desigualdades sociais são enormes, e os custos que a maioria da população tem de pagar são muito altos. Com isso a concentração da renda tornou-se extremamente perceptível, bastando apenas conversar com as pessoas nas ruas para nota-lá.
Do ponto de vista político esse processo só favoreceu alguns setores, e não levou em conta os reais problemas da população brasileira: moradia, educação, saúde, etc. A pobreza do povo brasileiro aumentou assustadoramente, e a população pobre tornou-se mais miserável ainda.
Quando se fala em desigualdades sociais e pobreza no Brasil, não se trata de centenas de pessoas, mas em milhões que vivem na pobreza absoluta. Essas pessoas sobrevivem apenas com 1/4 de salário mínimo no máximo!
A pobreza absoluta apresenta-se maior nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Para se ter uma idéia, o Nordeste, em 1988, apresentava o maior índice (58,8%) ou seja, 23776300 pessoas viviam na pobreza absoluta.
Em 1988, o IBGE detectou, através da Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílios, que 29,1% da população ativa do Brasil ganhava até l salário mínimo, e 23,7% recebia mensalmente de l a 2 salários mínimos. Pode-se concluir que 52,8% da população ativa recebe até 2 salários mínimos mensais.
Com esses dados, fica evidente que a mais da metade da população brasileira não tem recursos para a sobrevivência básica. Além dessas pessoas, tem-se que recordar que o contingente de desempregados também é muito elevado no Brasil, que vivem em piores condições piores que as desses assalariados.
As condições de miserabilidade da população estão ligadas aos péssimos salários pagos.
Observou-se anteriormente que mais de 50% da população ativa brasileira ganha até 2 salários mínimos. Os índices apontados visam chamar a atenção sobre os indivíduos miseráveis no Brasil.
Mas não existem somente pobres no Brasil, pois cerca de 4% da população é muito rica. O que prova a concentração maciça da renda nas mãos de poucas pessoas.
Além dos elementos já apontados, é importante destacar que a reprodução do capital, o desenvolvimento de alguns setores e a pouca organização dos sindicatos para tentar reivindicar melhores salários, são pontos esclarecedores da geração de desigualdades.
Quanto aos bens de consumo duráveis (carros, geladeiras, televisores, etc), são destinados a uma pequena parcela da população. A sofisticação desses produtos, prova o quanto o processo de industrialização beneficiou apenas uma pequena parcela da população.
Geraldo Muller, no livro Introdução à economia mundial contemporânea, mostra como a concentração de capital, combinado com a miserabilidade, é responsável pelo surgimento de um novo bloco econômico, onde estão Brasil, México, Coréia do Sul, África do Sul, são os chamados “países subdesenvolvidos industrializados”, em que ocorre uma boa industrialização e um quadro do enormes problemas sociais.
O setor informal é outro fator indicador de condições de reprodução capitalista no Brasil. Os camelôs, vendedores ambulantes, marreteiros, etc, são trabalhadores que não estão juridicamente regulamentados, mas que revelam a especificidade da economia brasileira e de seu desenvolvimento industrial.



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Fernanda Batista.